30 junho, 2011

Meia noite em Paris

Antes de falar sobre este filme, que assisti ontem, devo confessar que não sou fã do trabalho de Woody Allen constantemente e/ou incondicionalmente. Na verdade, fui me acostumando com o estilo na medida em que eu ia amadurecendo, e para mim seus filmes serão sempre uma incógnita, vou ao cinema imaginando que posso amar ou odiar o filme.

Até porque, o estilo WA se repete sem ser repetitivo, e os filmes podem sempre ser surpresas.

A (ótima) surpresa do momento foi Meia Noite em Paris (Midnight in Paris, 2011). Há algum tempo que um filme não me arrebatava como este. Eu ainda me pego rindo a toa, lembrando de cenas e referências que o filme faz, que não vou citar aqui, para que não seja um "spoiler" para quem não viu ainda o filme.

A trama é romântica/engraçada, sem profundos questionamentos de alma, despretensioso, mesmo. E com um toque de fantasia, já que o personagem principal, em crise com a profissão e com a noiva, volta no tempo, para a Paris da década de 20, e encontra com Hemingway, Scott e Zelda Fitsgerald, Picasso, Gertrude Stein, entre outros.

Na verdade, ele discute a nostalgia, o apego ao passado, sem esquecer de sua adequação a realidade. Para mim, é um tema sensível, pois eu me vejo voltando no tempo e encontrando lugares e pessoas que não existem mais.

O fato das pessoas da época em que ele passeia terem os mesmos anseios e problemas (a percepção de que o tempo passa depressa demais, a insatisfação com o presente que é, para o personagem, o passado desejado) é um lembrete simpático de que o que nos falta é somente perspectiva. Cada tempo pode ser o melhor momento, e na verdade você precisa se distanciar para perceber isso.

É diversão, é cultura, as referências a grandes gênios são fantásticas, o Dalí de Adrien Brody é impagável, os diálogos improváveis do encontro em tempos distintos são geniais. Vale o ingresso. Ah, e dá vontade de ir a Paris imediatamente.

Olha o poster, que lindo:



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