27 setembro, 2023

The Art of Asking - A book review, or something like that

I wrote this review to Amanda Palmers book years ago, when it was published, but I don’t think I ever posted it anywhere. Also, it is not a proper review, it is more personal than that, but anyway, I wanted it to see the light of day:


The Art of Asking
Ok, I have a confession to make before I start talking about Amanda Palmer’s book, “The Art of Asking”.
The confession is that a few years ago I did not know who Amanda Palmer was. I believe I heard about The Dresden Dolls, but never actually listened to a song, so I really did not realized who she was when I “met” her on Twitter, I “found” her, probably in some RT from someone else, was curious about the things she said, and started following her.
The second part of the confession is that, when I first learned from her tweets that she was writing a book called the “The Art of Asking”, I was interested because I thought about the art of constructing a good question to ask. You see, in my native language, Portuguese, “to ask a question” and “to ask for something” are two completely different words, and I had never watched Amanda's TED talk, so I went with the first meaning of asking translated to my language: “perguntar”.
That is actually a book I would read, gladly. Since my early school years I am haunted by the fact that the questions I ask get completely strayed answers, not related to what I asked and I never understand why. The “art of asking a question” is very intricate if you ask me; I really would dig that book. Maybe I should write that book so I try to learn how to ask questions?
Anyway, I digress. Eventually, I was directed to Amanda’s TED talk, and understood what kind of asking she was talking about, and that did not lessen my interest in reading her book. By then, I was already interested in her thoughts, and feeling part of her "group". Therefore, as soon as the book was out, I got my copy and started reading it.
It is a beautiful book, a pleasure to read, very intimate. I like the way she pours out her feelings and inner thoughts while giving us a view of her life. Is it a memoir, a biography, a focused whitepaper on crowd(funding, surfing, sourcing, living)? I could not label it, but I am not a critic, only a reader, who was very pleased to read it, and a little sad when it ended. Yes, it is the kind of book that you wish would not end. 
The content actually did not resonate with me initially. If I was a rude person, I could be one of the passersby that shouted “get a job” to her as a living statue. I am not proud of saying that, but living statues always bothered me, and the feeling was exactly ‘why is this guy/girl standing there instead of working, and expecting that I give him/her money for just standing there?’ I would never actually shout, but you know what I mean, but I am ashamed these might have been my thoughts if I lived in Boston and passed by ‘The Bride’. Did Amanda Palmer's book changed the way I feel about buskers? Yes, it surely made me think, see them with a new light, actually, now I “see” them. 
The main point for me is exactly the fact that a few years back, I would dismiss everything she is saying in the book, and now I can actually (try to) relate to it, (try to) understand where that comes from. In some levels, I think Amanda and I have a lot in common, although we have nothing in common.
I was raised to have a career and ‘get a job’, and art was not a job. I always loved to write, but I never thought about writing as a profession. I thought about majoring in Journalism, but was discouraged by the “you’ll never earn enough money as a journalist” mantra. 
Anyway, after a lifetime of “having a job”, I found myself jobless and having to (wanting to) reinvent myself. That is when I became a translator. In the years I was "having a job" I never abandoned the things I love: reading, studying literature and languages and – a little – writing. That is why I was prepared. I got a formal training in translation and today I am a part of the creative world, the people who might hear “get a job”.  I don't have an employer, an office to go to (other than the one inside my home), no formal “job” structure whatsoever. Get a job, Cassia!
So, reading Amanda Palmer’s book was important for me to open my mind wider to the fact that all that I grew up thinking was the only “right” way to live: formal work, fixed salary, fixed office hours – is not necessarily so, and I don’t need to feel bad for having a different life nowadays.
I don’t think I am already able to ask for what I need (the main point of the book, actually). I still have my inner blocks about “being independent”; “not needing anyone’s help”… But what I really wanted to say about her book is that it is honest. And honesty brings out honesty. 
I see you, Amanda.


17 setembro, 2023

A invisibilidade da tradução

Quando eu me decidi pela transição de carreira, a primeira coisa que busquei foi um curso específico na área. Muitas pessoas consideram que “saber inglês” (ou qualquer segundo idioma) é suficiente para entrar na área de tradução, e as coisas não são tão simples assim. A crença comum sobre a profissão, é que “sabendo inglês”, você pode sair traduzindo à vontade e tem tanta coisa envolvida, vícios de linguagem, erros perpetuados em traduções literais, contexto, realidade cultural. É uma arte.

E isso, na verdade, derruba a crença do "é só saber inglês". Eu considero, na verdade, que o mais importante no processo é saber o português. Isso mesmo, pasmem, para ser tradutor, você tem que ser excelente em português e não em outro idioma qualquer. É óbvio que você tem que conhecer um segundo idioma (no mínimo), mas esse realmente não é o seu foco e nem é onde seus maiores esforços devem estar, e sim, no seu próprio idioma.

Uma pergunta comum quando falo que sou tradutora é: Juramentada? O contato mais comum das pessoas com a necessidade de uma tradução é quando ela é necessária para emitir algum visto, traduzir documentos (do português para outro idioma) e, nesses casos, você precisa de um tradutor juramentado. Mas há muito mais mercado na profissão do que a tradução juramentada. 

A começar pelo literário, claro. Muitos livros que você lê foram escritos em outro idioma, e você nem lembra disso. Sabe quem é o autor do livro, mas você nem sempre presta atenção em quem foi que permitiu que você esteja lendo o livro: o tradutor.

Ou, entrando na área em que eu trabalho mais, você reserva sua passagem aérea, sem imaginar que o site foi escrito em outro idioma e chega a você em português porque passou por um tradutor, você escolhe seu hotel na Europa em um site em português, sem pensar em como aquele site de um hotel em Paris foi escrito em seu idioma (ou seja, não foi....).

A verdade é que a tradução está presente em nosso cotidiano muito mais do que imaginamos ou paramos para pensar. Eu costumo me ver como uma ponte. Eu sou uma ponte entre o fabricante de um produto e seu consumidor brasileiro, sou uma ponte entre o hotel na Inglaterra e o feliz viajante brasileiro a caminho, uma ponte entre o operário brasileiro da multinacional e o programa de treinamento concebido nos Estados Unidos.

Eu gosto de ser uma ponte.

 

29 março, 2020

Uma carta da Itália para o Reino Unido: isto é o que sabemos sobre o seu futuro - por Francesca Melandri


Hoje me deparei com esse texto da autora italiana Francesca Melandri, dirigida aos ingleses, dizendo que ela está mandando um “recado do futuro” para eles.
Eu poderia ter escrito para vocês, meus amigos brasileiros, pelo menos 80% do que ela está dizendo aqui. Não é polêmica, não é político, não tem nada a ver com parar ou não parar. É simplesmente sentimento sobre o que estamos vivendo hoje aqui na Itália.

O link para o texto original está aqui (The Guardian-Original in English), mas decidi traduzir para o português também, abaixo a tradução com todos os créditos.

Uma carta da Itália para o Reino Unido: isto é o que sabemos sobre o seu futuro

Uma autora em Roma descreve o que esperar com base nas suas experiências de isolamento

Francesca Melandri
Tradução: Cassia Afini

A aclamada escritora italiana Francesca Melandri, que está em quarentena em Roma há quase três semanas devido ao surto de Covid-19, escreveu uma carta aos colegas europeus "do seu futuro", expondo a diversidade de emoções pelas quais as pessoas provavelmente passarão nas próximas semanas.

Eu estou na Italia escrevendo para vocês, o que significa que eu estou escrevendo do futuro. Estamos agora onde vocês estarão em alguns dias. Os gráficos da epidemia mostram-nos todos entrelaçados em uma dança paralela.

Estamos apenas alguns passos à sua frente no percurso do tempo, tal como Wuhan estava algumas semanas à nossa frente. Vemos vocês agirem como nós mesmos agimos. Vocês defendem os mesmos argumentos que nós defendíamos até há pouco tempo, entre aqueles que ainda dizem "é só uma gripe, porque a histeria"? e aqueles que já entenderam.

Enquanto observamos vocês daqui, do seu futuro, sabemos que muitos de vocês, como foram orientados a se fecharem em suas casas, citam Orwell, alguns até Hobbes. Mas logo vocês estarão muito ocupados para isso.

Primeiro, vocês vão comer. Não apenas porque será uma das poucas coisas que vocês ainda poderão fazer.

Vocês encontrarão dezenas de grupos nas redes sociais com tutoriais sobre como passar seu tempo livre de maneira proveitosa. Vocês participarão de todos, depois de alguns dias os ignorarão completamente.

Vocês vão pegar a literatura apocalíptica de suas estantes, mas logo perceberão que não têm vontade de ler nada disso.

Vocês vão comer de novo. Você não dormirão bem. Vocês se perguntarão o que está acontecendo com a democracia.

Vocês terão uma vida social on-line incessante - no Messenger, WhatsApp, Skype, Zoom...

Vocês sentirão falta dos seus filhos adultos como nunca sentiram antes; a percepção de que vocês não têm ideia de quando os verão novamente vai bater como um soco no peito.

Os velhos ressentimentos e desentendimentos vão parecer irrelevantes. Vocês vão telefonar para as pessoas com quem juraram nunca mais falar, para perguntar: “Como você está?”

Muitas mulheres vão apanhar dentro de suas casas.

Vocês pensarão no que está acontecendo com todos aqueles que não podem ficar em casa porque não têm uma casa.

Vocês se sentirão vulneráveis ao sair para fazer compras nas ruas desertas, principalmente se você é uma mulher.

Vocês vão se perguntar se é assim que as sociedades entram em colapso. Isso realmente acontece tão rápido?

Vocês vão bloquear esses pensamentos e quando voltarem para casa vão comer novamente.

Vocês vão ganhar peso. Vocês vão procurar treinos de exercícios físicos on-line.

Vocês vão rir. Vocês vão rir muito. Vocês vão ostentar um humor negro que nunca tiveram antes. Mesmo as pessoas que sempre levaram tudo muito a sério, vão contemplar o absurdo da vida, do universo e de tudo isso.

Vocês marcarão encontros nas filas de supermercado com seus amigos e queridos, de modo a vê-los pessoalmente por breves instantes, respeitando as regras de distanciamento social.

Vocês vão contar todas as coisas das quais não precisam.

A verdadeira natureza das pessoas ao seu redor será revelada com total clareza. Vocês terão confirmações e surpresas.

Intelectuais que eram omnipresentes nas notícias desaparecerão, suas opiniões subitamente irrelevantes; alguns se refugiarão em racionalizações que serão tão totalmente desprovidas de empatia que as pessoas deixarão de escutá-las. Pessoas que vocês haviam negligenciado, ao contrário, se mostrarão tranquilizadoras, generosas, confiáveis, pragmáticas e visionárias.

Aqueles que convidarem vocês a verem toda essa confusão como uma oportunidade de renovação planetária ajudarão vocês a colocar as coisas em uma perspectiva maior. Vocês também os acharão terrivelmente irritantes: legal, o planeta está respirando melhor por causa da redução das emissões de CO2 pela metade, mas como vocês pagarão suas contas no próximo mês?

Vocês não entenderão se testemunhar o nascimento de um novo mundo é algo grandioso ou lamentável.

Vocês vão tocar música das suas janelas e de seus jardins. Quando vocês nos viram cantando ópera de nossas varandas, pensaram "ah, aqueles italianos". Mas sabemos que vocês também cantarão canções inspiradoras uns para os outros. E quando vocês tocarem bem alto “I will survive” das suas janelas, nós vamos observá-los e acenar como o povo de Wuhan, que cantou de suas janelas em fevereiro, acenou enquanto nos observava.

Muitos de vocês vão adormecer jurando que a primeira coisa que farão assim que a quarentena terminar é pedir o divórcio.

Muitas crianças serão concebidas.

Suas crianças terão aulas on-line. Elas serão irritantes, elas serão sua alegria.

Os mais velhos vão desobedecer como adolescentes desordeiros: vocês terão que brigar com eles para proibi-los de sair, de se infectar e de morrer.

Vocês vão tentar não pensar nas mortes solitárias dentro dos centros de terapia intensiva.

Vocês vão querer cobrir com pétalas de rosa todos os passos dos trabalhadores de saúde.

Será dito a vocês que a sociedade está unida em um esforço comunitário, que vocês estão todos no mesmo barco. Isso será verdade. Esta experiência mudará para sempre a forma como vocês se veem como parte individual de um todo maior.

A classe, no entanto, fará toda a diferença. Estar fechado em uma casa com um lindo jardim ou em um projeto habitacional superlotado não será a mesma coisa. E também não é a mesma coisa poder continuar a trabalhar de casa ou ver o seu trabalho desaparecer. Aquele barco no qual vocês estarão navegando para derrotar a epidemia não parecerá o mesmo para todos nem é realmente o mesmo para todos: nunca foi.

Em algum ponto, vocês perceberão que é difícil. Vocês terão medo. Vocês falarão sobre seus medo com as pessoas que vocês amam, ou guardarão dentro de vocês para não sobrecarregá-los também.

Vocês vão comer novamente.

Nós estamos na Italia e isto é o que sabemos sobre seu futuro. Mas é apenas uma adivinhação em pequena escala. Nós somos videntes muito comedidos.

Se olharmos para o futuro mais distante, o futuro que é desconhecido tanto para vocês como para nós, só podemos dizer isto: quando tudo isto acabar, o mundo não será o mesmo.

© Francesca Melandri 2020

25 setembro, 2014

Feminismo, o palavrão

Preciso fazer uma confissão antes de falar sobre feminismo. Eu também já neguei ser feminista, já associei feminismo a algo agressivo, ruim e extremista. Eu precisei tomar conhecimento de agressões terríveis contra mulheres pelo simples fato de serem mulheres, e precisei ler e entender melhor para me libertar do que a sociedade machista quer que acreditemos: que feminismo é algo feio, que “essas mulheres” não tem nada que reivindicar direitos, ou o popular: “tá faltando louça para lavar”.
A grande verdade é que somos, como sociedade, machistas. E é essa mentalidade machista que marginaliza o termo feminismo. Feministas já foram, quando necessário, as mulheres que queimavam sutiãs nas ruas. Hoje, feministas somos (devemos ser) todos nós, homens e mulheres. Porque ser feminista é simplesmente concordar com algo muito simples que ninguém que conheço admitiria em voz alta que não concorda: Homens e mulheres têm direitos e deveres iguais. Básico, simples, humano e importante. Ser feminista não é ser “contra os homens”.
Mas também é saber que homens não são donos de mulheres, o trabalho da mulher não vale menos que o do homem, o papel da mulher na sociedade não é menor do que o do homem. A mulher não precisa ser recatada, submissa ou dependente para ser feminina. A mulher não precisa se vestir de certa forma para ser respeitada, agir dessa ou daquela maneira para ser digna, ter este ou aquele papel para ser mulher. Uma mulher é um ser humano, e está na hora de nos libertarmos de estereótipos e entendermos isso.

Enfim, estou aqui hoje para falar um palavrão para vocês: feminismo. Estou me posicionando: Sou feminista. Mas a questão não é uma palavra, é um movimento.

E para comemorar, traduzi o texto de um discurso importantíssimo que a atriz Emma Watson fez na semana passada na ONU, Lançando a campanha #EleparaEla e convidando os homens para serem também feministas.

A minha tradução, não oficial, feita por minha própria conta, risco e vontade, está aqui
O texto original está aqui
O vídeo do discurso aqui

E mais importante, o site da campanha, principalmente para meus amigos homens participarem, está aqui: http://www.heforshe.org/

26 agosto, 2014

Palmeiras Centenário

Hoje o Palmeiras faz 100 anos. Na nossa família, somos todos Palmeirenses. Eu não podia deixar passar em branco.

Somos palmeirenses por culpa do Túlio (http://www.palmeiras.com.br/historia/idolos/494) , um dos grandes ídolos do time, cujo nome completo era Artur Affini. 

Ele era primo de meu avô, que nunca admitiu que um filho ou um neto torcesse para outro time, e ficaria orgulhoso hoje de ver bisnetos também Palmeirenses.

Fomos "obrigados", sim. Isso só significa que em nossa família, o amor pela Sociedade Esportiva Palmeiras já nasce com a gente.

Sofremos, torcemos, e para quem diz que não temos o que comemorar, temos sim. 100 anos de história, não é pouco. 

Viva o Túlio, Viva o Palmeiras!

‪#‎100AnosDePalmeiras‬
‪#‎CentAnniPalmeiras‬

22 agosto, 2014

Ajude quem você quiser, do jeito que quiser. Ou: Quando foi que ficamos tão chatos?

Se a pessoa apoia causa dos animais abandonados, devia se preocupar com crianças abandonadas, se apoia uma doença especifica, deveria apoiar outra, ou – pior – “só está querendo aparecer”.

Quando foi que ficamos tão chatos, e nos sentindo no direito de patrulhar até as boas ações do outro?

Sim, o que me levou a escrever isso foi a movimentação em relação ao “ice bucket challenge” ou “desafio do balde de gelo” que tem o objetivo de dar visibilidade a uma doença rara, pouco conhecida e incentivar doações para garantir a pesquisa, dado que, por ser rara, não tem pesquisas patrocinadas pela iniciativa pública.

E toda a brincadeira está divertidíssima, desde o Mark Zuckeberg desafiando Bill Gates que aceitou e fez uma engenhoca com direito a projeto usando comic sans!!!!, famosos e famosas fazendo o desafio com camiseta branca ou sem camisa até o troféu do US Open (que começa em 3 dias – yay!) levando gelo na cabeça e desafiando outros troféus, a Copa do Mundo da FIFA entre eles. Isso fora os hilários vídeos de não famosos e seus “fail ice bucket”.

Ou seja, uma coisa divertidíssima, que a ALS Association já divulgou que aumentou sim, e muito a arrecadação e mais: toda a bagunça está levando as pessoas a se perguntarem: mas o que é esclerose lateral amiotrófica?
Enfim, o objetivo da campanha é esse: aumentar a arrecadação para pesquisa e aumentar a visualização da doença.
Aí, os seres humanos em vez de darem risada, entenderem (ou não) a doença e seguirem em frente, não. Eles têm que reclamar. Porque claro, só eu que sei quem deve fazer qual campanha para qual problema...

Lista dos #mimimis que já li:

Desperdício de água – Ok, estamos com problemas de abastecimento. Mas o banho de 15 minutos que você toma gasta muito mais água que um balde na cabeça e não ajuda ninguém. A menos que você esteja realmente fazendo uma ação muito séria para economizar água, não permito que use esse mimimi. Próximo.

Eles só querem aparecer – Se os famosos que aderiram, com esta atitude melhoraram sua imagem de alguém com bom coração, QUAL É O PROBLEMA? O objetivo é chamar a atenção, quanto mais famosos fizerem, melhor. Se com isso eles também tiverem exposição, e daí, isso prejudica quem? Próximo.

Mas quem garante que eles estão doando? Bem, aí eu digo 2 coisas: Desculpe, não sabia que você era auditor da ALS Association e a segunda é que, mesmo que fosse verdade, o que é muito difícil porque estamos falando de pessoas para quem alguns dólares não farão falta, AINDA ASSIM eles estão ajudando, dando exposição para a campanha e eventualmente incentivando as doações dos anônimos. Próximo.

Tem coisas mais importantes, doenças mais graves, causas mais justas para apoiar. E é você quem decide qual causa é mais importante e quem deve doar para cada uma?

A doença é rara, afeta poucas pessoas, não precisa de pesquisa. OPA, essa é a mais grave que já li. Como assim? Agora você decide quem merece viver? Ah, não, você tem uma doença rara, fica no seu cantinho aí, definhando, vamos cuidar de outras doenças mais populares. Aliás, esse argumento é o pior de todos porque é EXATAMENTE porque a doença é rara que ela precisa desse fuzuê todo para ficar visível, para que as pessoas se preocupem e entendam. Horrível você pensar que alguém merece sofrer e morrer só porque poucos serão atingidos (e a propósito, a doença não tem nenhuma causa conhecida, qualquer um pode ser o próximo).

Enfim, o que não entendo mesmo é o motivo de alguém sair de seu caminho para CRITICAR alguém que está querendo fazer uma coisa positiva. Vamos combinar o seguinte? Ao invés de criticar essa campanha, divulgue a que você acha legal, a que você colabora. Mas sem vincular a esta ou qualquer outra. Simplesmente divulgue, incentive, jogue um balde na cabeça, pendure uma melancia no pescoço, pinte a cara de azul. Faça o que quiser. E deixe os outros fazerem o que lhes agrada.
Por um mundo com mais solidariedade e menos patrulhamento da vida do outro.

21 agosto, 2014

Links úteis em Roma e Firenze

Atualizei alguns links hoje, e o post "subiu". O original é de 2011.

Estadia em Roma: Aluguel de apartamento - Residenza Campo de Fiori ótima localização, recomendo.

Restaurantes Roma (todos próximos ao Centro Storico / Campo de Fiori)
Baccanale Restaurante / Bar no Campo de Fiori
Tre Tartufi “melhor gelatto do mundo”, segundo o dono do restaurante
La Carbonara
Giggetto
Il Portico

Passeios em Roma
Roma Pass Comece comprando um Roma Pass, dá direito a dois ingressos em museus, circular nos ônibus de Roma sem pagamento adicional e mais descontos nos museus que você for depois dos dois primeiros, por 48 horas. Dica: Use primeiro nos museus mais caros, verifique os preços aqui: Ingressos
Archeobus Programe seus passeios e veja se vale a pena o "Archeobus". Só para circular no Centro Storico não precisa de ônibus de turismo, os circulares e metrô são suficientes.
Appia Antica Ande pela via Appia de bicicleta
Sitios Arqueologicos (incluindo Colosseo)
Monumento Vittorio Emanuele II, ou Altare della Patria ou bolo de noiva, – Imperdivel visitar o alto do monumento, melhor vista de Roma ever.
Museus do Vaticano Dica: faça reserva online, com hora marcada. Impossível a fila sem reserva
Cinecitta Si Mostra visita aos Estúdios da Cinecitta. Para os cinéfilos, imperdível. 
Roma di notte não tem link para isso. Ande por Roma a noite. É lindo demais!

Quando for sair de Roma - Trenitalia

Estadia em Firenze: Hotel econômico, Hotel Europa.

Firenze Restaurantes
Ristorante Orcagna na Piazza dela Signoria, se não for neste restaurante vá em qualquer um da Piazza, em um final de tarde. Lindo!
Osteria Zio Gigi peça a Ribollita, prato típico da Toscana (cozido de legumes)
Il Pizzaiuolo dica de locais, pizza “como a Napolitana”
Trattoria Sostanza também dica local, trattoria típica da Toscana, mas não tive tempo de experimentar...
Qualquer Gelateria, tem uma em cada esquina, todas deliciosas.

Firenze / Toscana Passeios

Passeio pela Região, incluindo Siena, Pizza e almoço “rural”: Best of Tuscany Tour

Qualquer dúvida, me avisem. Espero que a lista ajude quem for viajar!

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19 agosto, 2014

A tradução automática e o apocalipse

Como tradutora, estou acostumada a ouvir/ler que a profissão que escolhi, no momento em que escolhi, está morrendo. Muitos acreditam que a tradução automática, vai acabar com a necessidade de uma pessoa que leia e traduza um texto. Tudo será lançado em um software de tradução e sairá magicamente do outro lado, de forma perfeitamente compreensível, e passaremos (nós tradutores) a ser desnecessários.

Eu não acredito nisto, nem tenho medo de me tornar irrelevante. Basta lembrar o quão dinâmico e orgânico é um idioma, as muitas nuances de nosso raciocínio que dificilmente um algoritmo cobrirá 100%.

É claro que eu entendo e reconheço que as “machine translations” têm o seu valor para situações emergenciais, necessidades pontuais de compreensão no cotidiano, mas o resultado nunca é aceitável (ou mesmo compreensível) para um texto profissional, uma apresentação de uma empresa na internet, para um anúncio com a mensagem correta e que trará os resultados que a empresa espera.

Por exemplo, tenho certeza que nenhum hotel atrairá clientes com a frase “O custo total sala é a soma dos custos mais baixos noturnas por quarto para o número de noites solicitadas.”. Essa é uma frase em inglês, retirada de um site de um grande hotel e traduzida no Google Translate para português. Deu pra entender? Não, né?

Existem várias máquinas de tradução. Estou citando o Google Translate porque eles mesmos admitem que estão preocupados que, o que já não é bom, pode piorar. Há um efeito de deterioração da qualidade da tradução automática inserido na própria lógica do sistema.

O assunto foi discutido pelo Diretor de Pesquisa do Google, Peter Norvig, na conferência Nasa Innovative Advanced Concepts em Stanford, em fevereiro de 2014. Norvig admitiu que a existência de sites que usam o Google Translate para traduzir todo seu conteúdo automaticamente, tem perpetuado e aprofundado os erros de tradução que ele mesmo (Google Translate) gerou inicialmente, porque os servidores do Google reconhecem estes sites como multilíngues e os indexam em seus servidores para alimentar a sua máquina de tradução, com as traduções de baixa qualidade que ele mesmo gerou.

Claro que, nesta admissão do problema, vem a informação de que estão trabalhando na criação de filtros para minimizar estes efeitos.

De qualquer forma, a questão é que nenhuma empresa que quer ser levada a sério deve usar um serviço de tradução automática. O resultado nunca terá uma aparência final adequada, e alguém que não fala o idioma para o qual a tradução está sendo feita, nunca saberá. Mas o cliente que ele quer atingir saberá.

Algumas pessoas defendem o uso da tradução automática com a revisão posterior por um tradutor. E aí começam vários outros questionamentos. A expectativa de um cliente que contrata um tradutor para “revisar um texto já traduzido” é que isto seja muito mais barato. A verdade para o tradutor, por outro lado, é que o trabalho para revisar uma “machine translation” é o mesmo, as vezes até maior, do que traduzir do zero. A necessidade de pesquisa, revisão e edição é as vezes tão grande quanto, e, muitas vezes, o resultado de uma revisão dessas não é satisfatório, não dá para você, como tradutor, aquele prazer de ver um texto “com sua cara”, bem feito, do jeito que você gostaria de entregar.

O mercado de tradução passa sim, por uma profunda transformação e um grande crescimento de demanda. As traduções automáticas, assim como os softwares CAT (computer aided translation) têm um grande papel neste novo mercado, mas esse papel não é eliminar o tradutor. Tenho certeza que tradutor e máquina trabalharão juntos por anos e anos a fio, e os apocalípticos da tradução de plantão que me perdoem, mas não acredito neles. Meu mundo não está acabando.

(post originalmente piblicado em A+ Translations)

28 abril, 2014

O futuro quem constrói é você

Vamos ficando mais próximos de nossa realidade, na medida em que damos vazão a nossos sonhos. Parece contraditório, mas não é.

Infelizmente, gastamos muita energia ao longo da vida, pensando o que devemos fazer, e não o que queremos. E assim vivemos da forma como conseguimos, um dia depois do outro, imaginando que em algum momento, no futuro, algo vai mudar.

Esquecemos que não há um futuro indefinido e mágico. O futuro é construído com as ações, com o que fazemos no presente, ele não "acontece". O futuro precisa de nós.

E enquanto estamos lutando no cotidiano, simplesmente não enxergamos que o caminho que tomamos, está nos levando na direção contrária do que sonhamos, se é que ainda encontramos tempo para sonhar.

Comece agora.


Bolhasabao004

03 março, 2014

Reflexões de uma ciclista na BR



Fiquei pensando, nesse feriado (carnaval 2014). Todas as vezes em que saí para pedalar vi a gentileza das pessoas dirigindo seus carros e parando para todos os pedestres que querem atravessar a estrada (não é nem uma avenida, é uma BR mesmo!). Acho incrível que todo mundo para, sorri, é lindo.
O mais engraçado é que sei que essas mesmas pessoas, em seu habitat natural (aka São Paulo) estariam buzinando, provavelmente mandando lembranças à mãe do pedestre se ele se jogasse no meio da estrada (porque o pessoal abusa mesmo) como fazem aqui. Isso se não tivesse um surto qualquer e simplesmente passasse por cima.
E porque, né? Porque o mesmo motorista sem paciência de São Paulo chega aqui no litoral e age completamente diferente? Simples, eles estão felizes. Nesses poucos dias de férias/feriado eles respiram outros ares (literalmente), relaxam, estão passeando, aproveitando seus dias de descanso, e, portanto, ficam gentis. Pessoas felizes são mais humanas, mais gentis. Pessoas felizes não atropelam pedestres malucos que se jogam na BR.
Se todas as pessoas fossem felizes o tempo todo, o mundo seria muito diferente, já pensou nisso?

E você, já fez alguém feliz hoje? Comece por você. Seja feliz, está dentro de cada um.

10 abril, 2013

Imagine

Tem dias em que eu gostaria de simplesmente fechar os olhos, pensar em uma coisa bem tranquila, bem calma...

Lembrar de uma praia linda, a areia branca sob meus pés, o sol acariciando a minha pele, e aquela sensação de leveza, de que, se pode haver algo tão bonito e reconfortante como o mar, a areia, o sol, nada pode estar errado nesse mundo, nós é que não entendemos o significado de algumas coisas, por que não olhamos do ângulo correto...

Como moro perto da praia, posso até ir até ali e não só imaginar. A vida é boa.


04 fevereiro, 2013

Infância

Senta criança, e espera.
Não chora, levanta. E dança.
A vida se encarrega
de tudo.

Vai, criança e vive.
Não pára. Pula. E brinca.
A vida diverte
em tudo.

Cresce, criança e chora.
Não volta. É tarde.
A vida te levou
e é tudo.


01 janeiro, 2013

A Princesa e o Dragão

Diálogo no último final de semana, entre minha sobrinha (3) e seu amiguinho (7):
- Eu era a princesa, você o príncipe.
- Não, eu sou o dragão.
E saiu, fazendo caretas e barulhos estranhos.

O tamanho de sua frustração seria engraçado, não fosse tão real.

E aí, me coloquei a pensar que ainda precisamos prepara-la para os muitos príncipes que na verdade, só querem ser dragões.

E não, não estou falando de relacionamentos e as expectativas frustradas que ela ainda vai ter que enfrentar, mas de todas as situações. Existem namorados dragões, mas também existem chefes dragões, amigos, professores e ocasiões dragões, que não acontecem do jeito que esperamos.

Quanto mais príncipes esperamos, mais dragões para enfrentar nos aparecem pela frente. E não podemos ser princesas indefesas. Na brincadeira deles, não havia príncipe para enfrentar o dragão, era ela mesma, frente a frente com o perigo.

E não é assim na vida? O único conselho que eu poderei dar, é que ela não espere pelos príncipes.

Se não temos expectativas, as pessoas e situações que enfrentamos simplesmente não podem nos decepcionar. Trabalhar o mais próximo possível da realidade.

É difícil, e meu primeiro instinto é proteger minha sobrinha linda de qualquer decepção e obrigar os dragões a agirem como príncipes, mas eu já aprendi que não pode ser assim e que os dragões que enfrentamos nos fazem mais fortes, ela terá que enfrentar os dela.

Vou ali polir meu escudo e lança, e já volto.

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19 dezembro, 2012

Teses

Vou propor algumas teses de mestrado que acredito necessárias, e que poderiam ser feitas em conjunto com diversas áreas do conhecimento, como por exemplo:


  1. O fascínio do pastel de feira no cotidiano do brasileiro. Com a participação de nutricionistas, sociólogos, psicólogos, endocrinologistas e chefs. Deve ter algo além do pastel em si, afinal, levante a mão quem nunca comeu um pastel na feira e achou que era um manjar dos deuses? Aliás, que manjar seria esse que os deuses comem? (mas isso já seria outro tópico)
  2. A influência do ambiente de um estádio de futebol no vocabulário masculino. Nesse poderiam participar pedagogos, linguistas, cientistas sociais e também psicólogos, claro. Porque ao ultrapassar aqueles portões, um homem, por mais educado e polido que seja no dia a dia, passa a falar 9 palavrões em uma frase com 10 palavras? Isso, quando consegue construir uma frase. E porque o juiz é sempre o mais atingido (ou seria a mãe dele?) quais os motivos dessa síndrome da falta de vocabulário repentina, passageira e restrita ao estádio?
  3. O significado da frase "eu te ligo" ao final de um encontro envolveríamos linguistas, psicólogos, talvez alguns investigadores e outros campos de conhecimento também nesse estudo. sugiro ainda incluir a mãe de alguns homens, para lembrá-los que é feio mentir. O principal processo a ser explicado é o significado da frase quando nem mesmo o telefone da outra pessoa é de posse do indivíduo que disse isso...


Outros:
- As origens culturais e semânticas da inacreditável frase: "o problema não é você, sou eu"; ou da variação piorada "você é boa demais para mim, é isso que me impede de ficar"
- .... sugestões?

20 novembro, 2012

Road Trip

Há cerca de um mês, fiz uma viagem pelos Estados Unidos com meu irmão, e vou registrar aqui minhas impressões.

MInha intenção é apenas de registro, para me lembrar, e para quem se interessou pela nossa aventura e eu não tive tempo ainda de contar pessoalmente com detalhes, possa entendê-la melhor.

Foi uma viagem não planejada, meu irmão estava se mudando da Florida para a California, e resolvemos levar o carro dele ao invés de mandar no caminhão de mudança, e conhecer lugares diferentes.

Nosso estilo de viagem não é muito tradicional, visitamos poucos locais turísticos, queríamos entender e conhecer melhor a cultura local, por isso, esse relato não terá exatamente "dicas de viagem" só crônicas mesmo...

Mas enfim, se interessar a mais alguém além de meu irmão e eu, fico feliz!

Primeiro, o roteiro:


Foram, de estrada (fora os passeios locais que fizemos), 2.430 milhas, ou 3.910 km, atravessando os EUA de costa  a costa, "margeando" o México.

12 julho, 2011

O domingo na FLIP

Eu não fiquei para o encerramento. Só vi a mesa com David Byrne e Eduardo Vasconcellos. Não foi uma mesa literária. Apesar do livro de David Byrne ser interessante, ele não falou sobre o livro, mas sobre transporte e vias urbanas, e bicicletas.

O tema me interessa e, bem, eu queria sim ver o David Byrne, mesmo que fosse sem cantar! Mas a mesa foi muito interessante, de verdade. Ambos trouxeram visões importantes (e assustadoras) sobre o futuro de nossos agrupamentos urbanos.

Só saber que o pior trânsito de SP é gerado quando apenas 15% da frota está nas ruas. Isso mesmo, o recorde de trânsito no final da tarde não é porque todo mundo saiu de carro...

De qualquer forma, tem um gostinho de final...

Se tudo correr bem, FLIP 2012, estarei lá.



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11 julho, 2011

Sábado de Sol e a Tenda dos Autores

O dia amanheceu ensolarado. E eu, tinha uma maratona de mesas para participar na FLIP, ou seja, passaria 80% do dia, dentro das tendas, sem ver o sol lá fora.

Não me incomodei. Os temas e autores do dia todo me interessavam, e só tenho essa oportunidade uma vez por ano.

Minhas impressões? Valeu a pena não ver o sábado de sol.

Começamos com John Freeman e Enrique Krauze editores das revistas Granta e Letras Libres, respectivamente. A mesa seguinte foi com Joe Sacco (atenção, sem gorrinho, irreconhecível!) e o jornalismo em quadrinhos. No meio da tarde, Marcelo Ferroni, Edney Silvestre e Teixeira Coelho falando sobre seus lançamentos de ficção com temas de "reconstrução".

João Ubaldo Ribeiro foi o ponto alto do dia. A oportunidade de poder ouvir um ícone da nossa literatura, é sempre imperdível.

A última, com James Ellroy, foi menos do que eu esperava. Claro que com todo respeito pela obra e genialidade dele (ou até por isso), achei que ele faz um personagem excêntrico demais, de forma que soou até construído, e não autêntico. Talvez ele seja assim...

Frases do dia:
Age of to much information
Todas as nossas ações são políticas.
As contradições da memória das pessoas sobre eventos em suas próprias vidas fazem parte da História
Todo relato (ficção, história ou jornalismo) são a visão de quem esta escrevendo, uma versão do fato.
Todo o drama na vida tem início no encontro de um homem com uma mulher.

E foi-se o sábado....

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10 julho, 2011

Terceiro dia e o início das saudades

Eu tenho um talento inato, o de sofrer por antecipação.

Tive um dia tão completo e na felicidade encontro a semente da tristeza de que mais um dia se foi, e outra FLIP, só no ano que vem..

The Art of Asking - A book review, or something like that

I wrote this review to Amanda Palmers book years ago, when it was published, but I don’t think I ever posted it anywhere. Also, it is not a ...